| Milho: O Futuro
O momento que vive hoje a cultura do milho posiciona ou reposiciona esta cultura, após séculos, como o principal produto do agronegócio brasileiro. A soja, a cana de açúcar e mesmo o café e o trigo se destacaram mais em função de conjunturas de momento, especialmente como produtos de exportação.
Hoje o milho, o cereal mais produzido no mundo com quase 800 milhões de toneladas anuais, recupera entre nós pelo seu potencial energético, o destaque e a importância estratégica e torna-se principalmente uma commodity internacional superando as amarras e limitações do mercado interno, que por não absorver o aumento de produção, freqüentemente avilta o preço, gerando instabilidade e redução da safra posterior e criando um círculo vicioso que só o mercado externo pode evitar, enxugando estoques. O milho se refletia sempre em frango e suíno competitivos, ou mesmo em confinamento de bovinos para exportação com preços remuneradores com o baixo custo em conseqüência do milho barato, produzido por produtores mal remunerados, que em conseqüência sempre focaram atenção no plantio da soja pelos preços mais estáveis.
De 51 milhões de toneladas de milho produzidas por ano hoje no Brasil o novo horizonte de produção já caminha para 75 a 100 milhões de toneladas nos próximos 10 anos, graças ao salto de produtividade agrícola, a introdução da tecnologia dos transgênicos, ao maior uso do milho na alimentação humana, na adequação logística pelo transporte de carga via férrea e pela inovação bem brasileira da segunda safra (safrinha) que tende a duplicar a tradicional safra de verão.
Destaque-se ainda a contribuição do primo africano do milho americano, o sorgo, que, pela sua maior resistência ao stress hídrico, contribui na segunda safra e no regime de chuvas do nordeste brasileiro (700 mm de chuva/ano) com 2,2 milhões de toneladas anuais e com potencial de atingir até 20% de produção do milho com a sua crescente popularização.
O cenário é portanto muito positivo com a entrada do milho no mercado externo com exportação prevista acima de 8 milhões de toneladas e volume crescente nos próximos anos.
Vender milho verde (venda futura), praticar hedge e todo o potencial da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), planejar investimentos na maior produtividade via melhoramento genético e biotecnologia é a realização de sonhos e projetos de há muito acalentados.
Que venha o futuro. |